A equipe do Terra da Gente desembarca na região da cidade de Tucuruí. E basta chegar ao município para dar de cara com uma gigante: a Usina Hidrelétrica Tucuruí, responsável por 10% de toda energia consumida no País. Localizada na bacia Tocantins/Araguaia, vê-la de perto é de assustar. Trata-se de um paredão de 78 metros de altura e 1.200 metros de comprimento. Só o lago da hidrelétrica tem área quase do tamanho da Suíça. O vertedouro é o segundo maior do mundo, com 23 comportas e 580 metros de comprimento. É a maior usina 100% brasileira (já que Itaipu também fornece energia para o Paraguai). A obra começou em 1975 durante o regime militar. Mais de 30 mil trabalhadores participaram da construção, que só ficou definitivamente pronta depois de uma segunda etapa de obras, em 2007. O volume de concreto utilizado na obra seria suficiente para construir 133 Maracanãs.
Mas a construção da usina gerou um problema para o transporte fluvial. Como transpor a muralha de aço e concreto? Foi preciso criar um sistema de eclusa, uma espécie de elevador que usa a água como meio de transporte. São dois compartimentos. A eclusa 1 fica na barragem. É ligada à eclusa 2 por um canal de 6 quilômetros, que termina no Rio Tocantins. As duas funcionam de forma semelhante e são capazes de transportar um comboio com quase 30 mil toneladas e 200 metros de comprimento. Cada eclusa leva em torno de 15 minutos para subir ou baixar as gigantescas balsas. Todo o processo dura quase duas horas. Além de transportar cargas, as eclusas servem também como ponto de passagem para os peixes.
Trata-se de uma área de 20 mil hectares, zona de preservação da vida silvestre. Para este lugar foram transferidos os animais que viviam na área da inundação. O projeto Curupira, como foi batizado na época, contou com o apoio de centenas de pessoas e até de helicópteros para auxiliar no resgate do maior número possível de espécies e animais.
Ao caminhar pela trilha para conhecer a área do projeto logo a equipe do Terra da Gente é presenteada com a presença de um bando de ararajubas. Mata adentro, mais um alarme de movimentação na floresta. São os bugios, chamados por ali de guaribas.
Se os animais estão relativamente seguros, o que dizer do habitat de cada um deles? Afinal, a floresta foi literalmente por água abaixo. Um projeto também foi pensado em relação a isso. Espécies da flora foram levadas para uma outra área e replantadas. Hoje servem como matrizes para um programa de coleta de sementes. O trabalho é árduo para recolher todas elas. Da mata as sementes seguem para o laboratório. São limpas, secas, medidas e seguem para ser estocadas para compor um banco genético que garantirá a floresta do futuro (se for preciso). Algumas não podem ser armazenadas porque crescem rápido demais. Por isso, são plantadas. E o trabalho segue com as mudas que são distribuídas para replantio…
Um dos maiores reservatórios artificiais de água doce do Brasil. Tucuruí também é famoso quando o assunto é pesca esportiva. Há mais de 20 anos a represa é sede de torneios de pesca disputados por centenas de apaixonados pelas fisgadas. O mais famoso deles, o Topam, Torneio de Pesca da Amazônia, hoje chamado como Tortuc, atrai os amantes do peixe mais cobiçado por lá, o tucunaré.
Fora do período de disputas, o lago é um espaço incrível para as aventuras do Terra da Gente. Quem acompanha a equipe do programa é um grupo de pescadores esportivos da cidade. Logo os tucunarés aparecem, até para quem foi só pilotar o barco. Entre os aventureiros, um muito especial: João Pedro, de 8 anos, que nunca pegou um peixe.
Filho de um dos pescadores, ele foi com a missão de ser batizado. Foi uma manhã inteira de procura e todos os esforços concentrados para que o pequeno pescador, enfim, sentisse a emoção de uma fisgada. Até que a persistência foi abençoada, arremesso perfeito e em uma galhada bem escondida, o primeiro peixe, o primeiro tucunaré de João Pedro apareceu, para emoção de todos no barco.
Desse dia em diante João Pedro é mais um pescador esportivo consciente do que é preservar, respeitar. E só formando as novas gerações com esses princípios é que será possível construir um planeta melhor. Essa foi a grande lição que a equipe do Terra da Gente levou do lago de Tucuruí. Um lugar que apesar do progresso ainda conserva um ar de paraíso.
Fonte:
http://redeglobo.globo.com/sp/eptv/terra-da-gente/platb/materias/gigante-de-concreto-e-vida/


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