Não se trata de privilegiar a região de Piracicaba, mas sim incluir uma vasta região, altamente industrializada e também dedicada à agricultura, como a região de Campinas e a Refinadora de Paulínia, na hidrovia. Para os negativistas, vale lembrar que Tietê-Paraná foi idealizada para ser a principal artéria para o escoamento da produção de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, uma macro região com 1,5 milhão de km2, constituindo política de desenvolvimento regional, sendo o único meio de transporte de carga capaz de rivalizar com o rodoviário, predominante no país.
Excluir a nossa região de tal empreendimento constituiria um crime contra a população em formação e a que virá, em termos de renda e formação.
Acontecerem cinco das audiências públicas realizadas pelo Departamento Hidroviário, na cidade e região. As primeiras, realizadas nos anfiteatros da Prefeitura e Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba, foram extremamente agressivas. A impressão que se tinha era de que se tratava de encontro de ambientalistas, a maioria vindo de fora, até de outros Estados. Em principio, ótimo, já que o objetivo era o de analisar, questionar e aprimorar o EIA-Rima. Porém, na prática, o objetivo mostrou ser outro: combater a hidrovia. Para tanto, os temas preferidos foram os pescadores do Tanquã, que seriam enxotados; os animais e aves do Tanquã, que seriam prejudicados; comparação com a barragem de Barra Bonita, que seria uma sopa de grãos.
As explicações de que os pescadores seriam transferidos para um núcleo, dando início à formação de uma vila, que receberiam casas com escritura passada, dotadas de todos os melhoramentos, teriam um porto, dotado de áreas para criação de peixes etc.; que seriam criados “habitats” para as aves e animais, as margens do rio seriam reflorestadas etc.; que a barragem de Santa Maria é do tipo “fio d’água”, o que entra sai, e que a de Barra Bonita é do tipo “pulmão” (enche e esvazia), nada atendia ao desejo dos ambientalistas.
Em seus pronunciamentos, cada qual mais veemente e crítico do que o anterior, todos versando sobre os mesmos temas e investindo mesmo no objetivo: inviabilizar a hidrovia.
As audiências seguintes foram mais palatáveis, menos efusivas; novas abordagens surgiram, relativas a assoreamento, congestionamento, se vai haver escada para os peixes, enchentes. Também houve provocações, como “um simples ramal ferroviário não poderia substituir a hidrovia?”, e até denúncias, como a de que os peixes do Piracicaba estariam contaminados por mercúrio, acusação gravíssima, mas, ao que parece, ninguém levou a sério.
Entendo que não há razão para inviabilizar a hidrovia, e que nem isso era o objetivo das audiências. Se assim fosse, nada de novo poderia ser implantado no país; poderíamos somente investir no que já existe, eis que tudo, de uma forma ou de outra, altera o meio ambiente. Seríamos uma espécie de Cuba, com prédios seus antigos e veículos velhos, cuja mais moderna obra – o porto de Mariel – foi construída e patrocinada pelo Brasil.
Após as audiências, registradas as críticas, o Departamento Hidroviário providenciou a complementação do EIA-Rima, de forma a sanar as falhas apontadas, elevando de 25 milhões para 128 milhões de reais os gastos destinados às obras de compensação ambiental.
O Brasil não pode continuar a ter 90% do transporte de carga praticado por caminhões. Com o crescimento populacional, temos de diversificar, e a hidrovia é a melhor solução, tanto que a projeção da Agência Nacional de Transportes Aquáviarios é de, até 2030, promover uma melhor distribuição do volume transportado, estabelecendo uma equivalência entre rodovia, hidrovia e ferrovia. Isso é necessário para frear os danos causados pelo excesso de CO² na atmosfera terrestre, causador do efeito estufa, que provoca mudanças climáticas indesejáveis, que já se fazem sentir e, o mais importante a destacar, é a que complementação da hidrovia Tietê-Paraná, em São Paulo, com obras programadas em vários portos e modais de carga, é um dos poucos empreendimentos de planejamento regional, com reflexos altamente negativos em diversos setores, como, por exemplo, o industrial.
Acredito que podemos tomar consciência que o projeto da Hidrovia beneficiará não só a nossa região, mas ajudará em outros aspectos também.
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