Carta enviada ao Conselho Estadual do Meio
Ambiente:
A finalidade deste ofício é
solicitar desse Conselho a concessão da licença prévia para o início das obras
da barragem de Santa Maria da Serra e instalação do porto de Artemis, que já
existiu no passado, como Porto João Alfredo, do qual partiam embarcações
levando produtos de Piracicaba, principalmente tecidos produzidos pela fábrica
Boyes, até a capital. Com o passar dos tempos, os trens acabaram com a hidrovia
e os caminhões reduziram os trens a quase nada. Com isso, as rodovias
concentraram o nosso transporte de carga, cujo preço é abusivo; temos um pouco
de transporte ferroviário, e menos ainda de transporte hidroviário. Chegou a
hora de tentarmos equilibrar isso, investindo em hidrovias, no interesse das
gerações que virão, ameaçadas pela poluição que, entre outras coisas, estão
causando mudanças climáticas.
O mundo não pode esperar pelos deuses para resolver
problemas que já estamos vivenciando. Depende de soluções efetivas, e o plano
de incluir o rio Piracicaba na Hidrovia Tietê Paraná é uma dessas soluções,
porque aproxima a hidrovia do porto de Santos, aumenta (a pretensão é dobrar) o
volume de carga a ser transportado,
reduz o custo do frete, hoje um dos mais caros do mundo. Outra vantagem
é que vai incrementar o transporte e distribuição de combustíveis, a partir da
refinaria de Paulínia, o transporte de álcool combustível, açúcar e veículos e
máquinas e açúcar e calcário produzidos na região de Piracicaba, manufaturados,
veículos e máquinas pesadas de uma vasta
região, capitaneada pela região de Campinas, e assim por diante. Trata-se da
região mais importante do Estado, em termos de produção e renda – fora a da
capital – e como tal deve ser incluída na hidrovia.
Todo empreendimento de grande porte implica problemas
ambientais. Tecnicamente eles podem e devem ser compensados, não fosse assim, o
mundo pararia: extração de petróleo, hidrelétricas, termoelétricas, energia
nuclear, criação de animais, produção de alimentos, tudo causa problema
ambiental, sem esquecer a humanidade, que é o maior predador e poluidor que
existe. O ser humano será o maior
beneficiado pela construção da barragem pois evitará a emissão de milhões
de toneladas de gases de efeito estufa (CO2) provenientes do transporte
rodoviário.
Não há lógica, portanto, no incitamento de poucos contra
a barragem de Santa Maria da Serra, fazendo uso de argumentos tecnicamente
falhos, como o de que um trem equivaleria ao prolongamento hidroviário, bem
como a defesa intransigente da fauna e da flora de uma pequena região em
detrimento de milhares de seres humanos seriamente afetados em sua sáude e
aumentando o aquecimento global causando catastrofes amplamente divulgadas e
confirmadas pelos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas (IPCC) . Quanto aos demais, eles podem e devem ser corrigidos
através da revisão do EIA-Rima, que existe justamente para isso. Acresce
destacar que as correções pedidas já estão sendo realizadas pelo Departamento
de Hidrovias do Estado, portanto, pela lógica, não há como adiar a implantação
do empreendimento, a começar pela concessão da licença prévia solicitada. A
menos que se queira perder esse empreendimento de vez, já que as verbas
disponíveis acabarão sendo canceladas ou aplicadas nos trechos da hidrovia já
existentes.
Todos sabemos que o transporte de carga brasileiro, feito
majoritariamente por rodovias é dispendioso, excessivamente caro, indo em
prejuízo do consumidor final, além de prejudicar a exportação. Nossas
principais rodovias estão saturadas, e mesmo que duplicadas, em pouco tempo
estarão novamente saturadas, simplesmente porque a população aumenta, e com ela
aumenta o consumo. Qual a solução? Implementar o transporte hidroviário e o
ferroviário, principalmente o hidroviário, pelos benefícios que traz ao meio
ambiente e alta capacidade de transportar grandes cargas. Isso é do interesse
do Estado e da Nação, razão do empreendimento contar com verbas do Estado e do
governo federal.
O Comitê das Bacias Hidrográficas do Piracicaba, Capivai
e Jundiaí concentrou, em documento enviado à CETESB, todas as revisões que
deveriam ser observadas com relação ao EIA-Rima da barragem. Aprovadas estas,
não haveria razão para adiar a liberação da licença prévia para início das
obras.
Contando com o alto juízo dos membros do Conselho para que este empreendimento, do interesse da população de Piracicaba e região, seja concretizado, firmamos.
Eng, Agr.RICARDO CAIUBY DE FARIA
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