quarta-feira, 6 de agosto de 2014

HIDROVIA, MENOS ACIDENTES, MAIS VANTAGENS

O Brasil dispõe de uma das maiores redes hidrográficas do mundo passíveis de exploração pelo transporte fluvial. A rede hidrográfica brasileira tem aproximadamente 43 mil quilômetros de extensão, dos quais 28 mil quilômetros são aproveitáveis em condições praticamente naturais, e os demais 15 mil quilômetros necessitariam maiores intervenções. Mesmo assim,  hoje são utilizados comercialmente apenas cerca de 10 mil quilômetros para o transporte de carga.



As cargas transportadas no Brasil estão divididas, entre as modalidades, de maneira inadequada, se compararmos com os exemplos do que ocorre em outros países com situações geográficas semelhantes ao caso brasileiro. De  maneira aproximada, desconsiderando-se o transporte aeroviário e o transporte por dutos, o transporte rodoviário brasileiro responde por cerca de 63 % do total transportado, o ferroviário 24 % e o aquaviário 13%, sendo de que deste total, o transporte pelas vias navegáveis interiores correspondem a apenas 2 %, e os demais 11 % são cargas do transporte marítimo.
O transporte hidroviário, seja ele marítimo ou em águas interiores, tem como grande vantagem sobre os demais modos de transporte, a quantidade de energia gasta para o deslocamento de certa quantidade de carga, por uma determinada distância. Estudos revelam que enquanto nas hidrovias interiores se transportam 4.000 kg, nas ferrovias, para uma mesma distância e necessitando a mesma energia, só se conseguiria transportaria 500 kg e nas rodovias apenas 150 kg. Essa quantidade de energia necessária se reflete diretamente no custo do transporte, como resultado do gasto de combustíveis para o deslocamento da carga, daí a grande diferença a favor do transporte aquaviário sobre as demais modalidades. A esse aspecto se soma ainda, a vantagem relacionada com a vida útil dos equipamentos utilizados no transporte hidroviário (empurradores e barcaças), mais duráveis que os equipamentos dos transportes terrestres (rodoviário e ferroviário).
Aliada às vantagens acima, pode-se ainda comentar os reflexos positivos que a maior utilização do transporte hidroviário interior poderia trazer na redução de acidentes. No transporte aquaviário, em números relativos, os acidentes são infinitamente inferiores ao modal  rodoviário, assim como ao ferroviário, como demonstram as estatísticas internacionais. Assim, se parte das cargas se transferirem ao modal hidroviário, certamente haverá reflexos positivos na redução de acidentes nas estradas. Não se pretende com isso, transferir todo o transporte para o modo aquaviário, e sim, otimizar a utilização da malha de transporte brasileira e a racionalização do gasto energético com essa atividade. É verdade que as hidrovias não estão acessíveis a todos os centros de produção e de consumo; assim sendo, quase sempre será necessário o transporte rodoviário ou o ferroviário complementar, tanto na ponta da produção como na do consumo, garantindo o fluxo da origem ao destino final.
Essa racionalização do uso da infra-estrutura de transportes, bem como a redução de gasto de combustíveis, traria reflexos positivos à economia brasileira, além da redução nos custos dos produtos transportados. Seguindo o mesmo raciocínio, a manutenção das rodovias poderia ser outro importante benefício, com a redução do transporte pesado (minérios e produtos agrícolas, por exemplo) nas já desgastadas rodovias brasileiras.


Fonte: Luiz Eduardo Garcia
Ministério dos Transportes 

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