sábado, 6 de setembro de 2014

TRANSPORTE HIDROVIÁRIO MUNDIAL

Os que se envolvem com o tema “transporte” no Brasil com conhecimento mais aprofundado do assunto e que viajam por países desenvolvidos logo percebem a atenção que é dada por lá ao segmento de transporte hidroviário interior, em que as hidrovias exercem seu verdadeiro papel na vida dos habitantes, seja nos aspectos econômicos, sociais, ecológicos e nas demais dádivas que a água lhes oferece. Saltam-lhes aos olhos, também, a enorme diferença entre o tratamento dado às vias hídricas, com relação seu aproveitamento, entre aqueles países e o Brasil.

Os americanos, buscando o melhor para o seu povo em termos de transporte, e também por razões estratégicas de segurança, criaram uma vasta rede hidroviária interior seu território, compreendendo as hidrovias da Costa Atlântica, do Golfo do México, do Rio Mississipi, dos Grandes Lagos, do Rio São Lourenço e outras pequenas hidrovias da Costa do Pacífico, e Alaska, com destaque para os Rios Mississipi, Tennessee, Missouri, Ohio, Arkansas e Illinois.

Dados da publicação oficial do American Waterways Operator Inc., dos Estados Unidos, registram que 38 dos 51 estados norte-americanos, representando quase 95% da população, contam com serviços de transporte comercial operados por embarcações que singram os rios, canais, baías, estreitos e lagos, em todas as direções. 81 das 130 cidades com população acima de 100 mil habitantes estão localizadas em canais de navegação. Comboios de chatas, rebocadas ou empurradas e navios de pequeno calado transportam aproximadamente 10% de toda a carga do comércio interno do país. No curso superior do Mississipi, entre Minneapolis e a foz do Rio Missouri, comboios de 12 a 15 barcaças, com uma capacidade total de 20 mil t, sobem o rio levando combustível proveniente do Texas e Louisiana e carvão procedente de Kentucky e Illinois. Na volta, as barcaças trazem cereais, ferro e aço.



Cerca de 1.200 empresas de pequeno, médio e grande porte naquele país dedicam-se à atividade hidroviária, transportando um volume de carga de aproximadamente 1,5 bilhão de t por ano. O complexo Mississipi – Missouri – Ohio constitui a hidrovia de maior tráfego do mundo, por onde navegam comboios de até 60 mil t de carga. Nesse complexo, destaca-se um canal ligando o Rio Tennessee ao Rio Tombigbee, conhecido como “TennTom”, destinado ao escoamento de reservas carboníferas do estado do Ohio, encurtando a distância para o Golfo do México em cerca de 500 km. Somente no Mississipi movimentam 425 milhões de t. As hidrovias são responsáveis por 43% do movimento dos principais portos americanos.

Os Estados Unidos contam com 25.000 milhas de vias navegáveis interiores, com 608 barragens e 257 eclusas em 212 locais diferentes. Vale observar que as hidrovias dos Estados Unidos são administradas pelo serviço de engenharia do exército americano, o US Army Corps Engineers, que emprega nesses serviços 33 mil funcionários e 580 militares.

A Europa tem 26 mil km de hidrovias, sendo 40% formadas graças a interligações e canais, como o que ligou o curso superior do Rio Danúbio ao Rio Reno, pelo canal Reno – Main – Danúbio. Este canal, inaugurado em 1992, permitiu a navegação entre os Rios Danúbio e Reno e venceu um divisor de águas de 243m de Roterdam, no Mar do Norte, ao Ma Negro, no Leste europeu, num percurso de 3.500 km, numa das mais ricas e produtivas regiões da Europa Ocidental. O Rio Main tem 41 eclusas, vencendo um desnível de 300m ao longo de seus 450 km, enquanto o Rio Reno, em seu trecho médio, de 300 km, tem 27 eclusas.

As hidrovias da Europa Ocidental movimentaram, em 2002, mercadorias no valor de 600 milhões de euros. Dentre os países que mais usam o transporte hidroviário na Europa Ocidental, destacam-se a França, com 8.501 km de hidrovias, dos quais 1.800 km de grande gabarito, a Alemanha, com 7.339 km, a Holanda, com 5.046 km, e a Bélgica, com 1.540 km.

Os Rios Sena, Reno, Mosela, Ródano e Saone constituem os principais rios que formam a rede hidroviária francesa, destacando-se ainda o Grande Canal da Alsácia, o Canal Dunquerque – Escalda e Caraldo Midi, dentre outros 130 canais ali existentes. Destacam-se, ainda, o Plano Inclinado de Saint Louis – Arzvillier e o ascensor de navios, no canal do Maine ao Reno e o de Fontinettes, no canal Neufossé. Ainda na França podem ser citadas as obras hidroviárias magistrais: pentes d’eau de Fonsérannes, no canal do Midi e de Montech, no canal de Garone e ainda o sistema de rebocagem subterrânea, mediante uma corrente de trens de barcaças, em alguns túneis com ventilação precária. No mo de 2000, cerca de 2.200 “peniches” (peguenas embarcações-padrão francesas) movimentaram 59 milhões de toneladas. As hidrovias francesas são dotadas de 1.782 eclusas, 559 banagens, 74 pontes canal; 6 planos indicados e elevadores de navios; 35 túneis canal; 10 sifões (cruzamento subterrâneo de um curso d’água sob o outro).

A Suíça, pequena e central, em seu porto de Basiléia, no rio Reno, a mais de 1000 km do mar, transporta anualmente cargas num volume superior ao total das que são movimentadas pela navegação interior do nosso país.

A Holanda, não obstante também o seu pequeno território, conta com uma rede de 5.046 km de hidrovias, onde operam cerca de 7 mil barcaças pelo Rio Reno e vários canais, levando mercadorias pela Europa Central e até o Mar Negro. O porto de Roterdam recebe, por ano, cerca de 30 mil navios e 200 mil barcaças.

Vamos encontrar na Romênia um canal de 64 km entre Cernovoda, no Rio Danúbio uma via de notável beleza histórica, que atravessa 7 das mais antigas nações da Europa, reduzindo o trajeto entre aquele porto e o de Constança, no Mar Negro, em cerca de 400 km. Esse canal – o sexto do mundo, após os do  Panamá, Suez, Moscou, Volga e Kiel – cuja construção terminou em 1984, após 8 anos de obras, tem uma profundidade de 7 m, com eclusas de 310m de comprimento, 25m de largura e 5,5 m de profundidade.

No conjunto de países que formavam a ex-União Soviética existem cerca de 50 mil km de hidrovias, nas suas diferentes bacias hidrográficas, entre as quais se destacam ÇJ.S dos Rios Volga, Kama, Don, Neva, Svir e Dniper, sendo muitas interligadas, como o caso da ligação por canal entre o Rio Volga ao Rio Don, que deságuam no Mar de Azov e, daí, no Mar Negro. O sistema hidroviário da ex-URSS tem mais de 100 eclusas, 10 mil km de canais artificiais e transportava, à época da URSS, cerca de 550 milhões de t de carga por ano.

O porto de Moscou é conhecido como o “porto dos 5 mares”, por sua ligação, por água, aos Mares Báltico, Branco, Cáspio, Azo v e Negro. Dentre as grandes obras, citam-se os canais Volga-Don, Volga-Báltico, Mar Branco Báltico e o canal de Moscou. Esse canal tem 130 km de comprimento, dispondo de 10 eclusas,
com 30m de largura, 270m de comprimento e 5,5 m de profundidade. Nas hidrovias russas operam 29 mil embarcações, com um porte de 12,7 milhões de TPB.

A China utiliza seus grandes rios, como o Yangtsé e Zhugiang, para transporte de cargas dos portos de Xangai e Cantão, onde aqueles rios vão desaguar. Além da China, o Vietnã, a Índia, a Tailândia, a Indonésia, a Malásia e o Camboja também utilizam intensivamente o transporte hidroviário, num volume anual de aproximadamente um bilhão det.

Contrastando com o Brasil, o que mais impressiona nos países desenvolvidos são as gigantescas obras realizadas para o aproveitamento múltiplo de seus rios e mares, especialmente para navegação. Um exemplo disso são os planos inclinados e os ascensores e navios construídos na França (6), na Inglaterra (7), na Alemanha (4), Bélgica (3), Polônia (l), Rússia (1), Canadá (5), China (6), Japão (2) e Estados Unidos (23). Merecem ser citadas, também, as obras de aproveitamento do Rio Reno, de importância multinacionat pois o Reno banha a Alemanha, a França, a Holanda e a Suíça, constituindo-se numa excelente via navegável desde a sua foz, no Mar do Norte, até a Basiléia, na Suíça. É esse rio que corre do sul para o norte da Europa, carregando ouro, ferro, aço, vinho e outras cargas, onde está localizado o Canal da Alsácia, com 52 km de extensão e quatro barragens eclusadas.

O mais moderno sistema de transposição de desnível atualmente em uso é o Falkirk Vv’heet na Escócia, ligando o Forth and Clyde Canal com o Union Canat vencendo um desnível de 24m, e que foi inaugurado em 2002. Consiste em duas cubas com água, capazes de conter cada uma delas uma embarcação de 600 toneladas de porte, suportadas por uma estrutura que gira e encaixa as duas cubas nos canais superior e inferior simultaneamente.

As vias interiores navegáveis no mundo totalizam 450 mil km e respondem pelo transporte anual de 2,5 bilhões de t de carga.

De tudo que aqui foi relatado, pode-se afirmar que estamos numa distância entre a Terra e a Lua para concluir que as nossas hidrovias não estão sendo aproveitadas com as potencialidades que elas nos oferecem.


Fonte:
 http://ciant4q.wordpress.com/hidrovias/transporte-hidroviario-interior-no-mundo/

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