quarta-feira, 2 de abril de 2014

TURISMO EM BARRAGEM GERA EMPREGOS E ATRAI "ALTA RENDA", AFIRMA ESPECIALISTA

O seminário técnico realizado na noite 31 de março de 2014 na sede da Prefeitura de Piracicaba (SP) discutiu o aproveitamento turístico da barragem que o governo paulista quer construir no Rio Piracicaba, em trecho de Santa Maria da Serra (SP), para ampliar em 45 quilômetros a navegabilidade da Hidrovia Tietê-Paraná. Segundo especialista que participou do evento, o turismo náutico gera empregos e atrai praticantes com alto poder aquisitivo.

O evento focou nas discussões sobre as atividades de lazer e de turismo decorrentes da formação do reservatório, caso seja aprovado. O consultor de turismo náutico Walter Garcia, um dos palestrantes, abordou a questão econômica do aproveitamento. "O turismo náutico gera de três a cinco empregos para cada barco com mais de 25 pés. Em uma comparação com o setor automotivo, por exemplo, é um posto de trabalho para cada dez carros", disse.
O especialista também destacou que o setor atrai pessoas de grande poder aquisitivo, que consomem mais e produzem emprego. "Para esse público, que pode vir do mundo todo, é preciso que haja marinas bem estruturadas e rios despoluídos. Hoje no interior de São Paulo há muitas garagens para barcos e não marinas", afirmou.
E também citou alguns exemplos em relação a Indústria e Serviços que a sistema Náutico traz:
O incremento do turismo traz à reboque, no primeiro momento, o desenvolvimento da indústria de peças de reposição e a construção de marinas e outras estruturas náuticas.
A conseqüência imediata é a criação de pequenos estabelecimentos no entorno das marinas para atender a demanda de serviços (8% do valor de compra) que os barcos criam.
Após a capacitação da mão de obra, desenvolve também a indústria náutica, quando a média de geração de empregos é de 7 postos de trabalho / barco construído.
Enquanto em uma montadora como a Ford a relação é de 10 carros para cada posto de trabalho criado, na náutica de recreio, por ser uma produção praticamente artesanal a relação é quase a inversa. 

Impacto em países onde teve o apoiou ao segmento náutico:
 - Em Fiji, lei semelhante à do presidente fez com que o número de vagas pulasse de 50 para 500 em pouco mais de um ano;
 - Na Croácia, em 10 anos, o número de barcos de charters pulou de valores inexpressivos para 2.500.
 - O número de marinas dobrou e o número de vagas por marina também aumentou significativamente.
 - A qualidade da ocupação também melhorou.
 - No final do século passado o tamanho médio dos barcos variava entre 8 e 10 metros. Hoje, a maior parte da ocupação é feita por barcos que medem entre 16 e 60 metros. Diante da dificuldade de criar mais vagas, a Croácia tenta atrair o mercado de barcos acima de E$ 6 milhões.  


O seminário também apresentou a configuração planejada para a barragem, casos bem sucedidos, possibilidades e necessidades para implantação de iniciativas na área do turismo e ainda abriu seção de perguntas e respostas. Além do transporte de cargas, o projeto prevê geração de energia elétrica. Conforme a proposta estadual, as águas do novo reservatório deverão banhar os municípios de Águas de São Pedro, São Pedro, Piracicaba, Anhembi e Santa Maria da Serra.
O Departamento Hidroviário (DH), órgão do governo paulista responsável pelo projeto da barragem, rebateu as críticas apontadas pelo Ministério Público, que encaminhou recomendação à Companhia Estadual de Saneamento Ambiental (Cetesb) para que o licenciamento não seja emitido e estude a viabilidade da construção de uma ferrovia no lugar da eclusa.
Segundo o DH, os estudos de impacto ambiental da barragem foram feitos por 60 profissionais e estão "rigorosamente de acordo com as exigências da Cetesb e de acordo com o exigido para a avaliação prévia de viabilidade da obra". O órgão governamental ressaltou ainda ter realizado cinco audiências públicas exigidas para o licenciamento ambiental e promoveu até agora dois seminários técnicos para aprofundar a discussão.
"Não faltaram oportunidades para serem debatidas e esclarecidas questões específicas sobre os estudos ambientais, e ainda continuarão as discussões e interações com as entidades e órgãos da região durante todas as fases do licenciamento ambiental e de implantação do empreendimento, quando serão implementados os programas ambientais, com a necessária participação de toda a sociedade", informou o DH em nota.

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