segunda-feira, 31 de março de 2014

FERROVIA MELHOR QUE HIDROVIA? PARA O MEIO AMBIENTE, NÃO.

Algumas pessoas pouco informadas estão entrando na discussão sobre o futuro da economia da nossa região e os benefícios que a hidrovia pode gerar com a barragem em Santa Maria da Serra, reclamando que a construção de uma ferrovia no mesmo trecho poderia eliminar impactos ambientais com o enchimento da represa. Não é verdade. Além de mais cara para se construir e operar quando se compara com a hidrovia, uma ferrovia pode provocar danos ambientais irreparáveis.

A visão romântica de uma Maria Fumaça cortando os campos, como no "Trenzinho Caipira" do Villa Lobos, não corresponde à realidade (a não ser pela fumaça – trem movido a diesel, como a maioria dos que ainda temos, polui com muita fumaça). Além da fumaça poluidora, uma ferrovia gera ruídos que espantam as aves e os animais no seu caminho e provocam incômodos significativos na população de áreas urbanas. Na Europa, onde as ferrovias estão mais disseminadas, hoje se sabe que o ruído constante de longas composições de carga em áreas urbanas é responsável por um grande número de casos de problemas cardíacos.
Em áreas rurais, como no trecho entre Piracicaba e Santa Maria da Serra, os problemas ambientais podem ser ainda mais agudos. A área de passagem de uma ferrovia impede a circulação de animais, pela perda de vegetação,  e provoca atropelamentos dos que se arriscam por ela. O "corte" da ferrovia, na sua faixa de domínio, divide plantações e propriedades rurais produtivas definitivamente, com perda de áreas produtivas e diminuição de produção. Promove ainda a fragmentação de remanescentes de vegetação que podem provocar a sua regressão e até extinção de espécies vegetais. A hidrovia promoverá o reflorestamento com a criação de uma grande Área de Proteção Permanente no seu entorno, além de oferecer acesso aos proprietários rurais a um meio de transporte natural no limite de suas propriedades.
Em muitos casos é necessária a construção de viadutos (para cruzar a SP-191, por exemplo) ou executar aterros para a ferrovia seguir adiante. A terraplenagem, os cortes de elevações e o bota-fora necessários provocam erosões, acumulo de detritos, aumento de poeira, desmatamento; a potencialização de erosões provoca o assoreamento de cursos de água adjacentes. Esses riscos não existem no caso da hidrovia.
Quando entra em funcionamento, a ferrovia ainda apresenta potencial de poluição de mananciais (por esgotos, óleos e graxas), além de aumentar do risco de incêndios e a pressão sobre a fauna.

Mesmo assim, não somos contra a disseminação de ferrovias. Pelo contrário, o transporte ferroviário tem muitas vantagens sobre o transporte de carga por caminhões, em rodovias. Mas nem um nem outro – rodovia ou ferrovia – consegue ser mais vantajoso do que o transporte por hidrovia quando se tem um caminho natural e inexplorado como o nosso rio Piracicaba, abrindo caminho à grande hidrovia Tietê Paraná bem à nossa porta. 

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