Algumas pessoas pouco informadas estão
entrando na discussão sobre o futuro da economia da nossa região e os
benefícios que a hidrovia pode gerar com a barragem em Santa Maria da Serra,
reclamando que a construção de uma ferrovia no mesmo trecho poderia eliminar
impactos ambientais com o enchimento da represa. Não é verdade. Além de mais
cara para se construir e operar quando se compara com a hidrovia, uma ferrovia
pode provocar danos ambientais irreparáveis.
A visão romântica de uma Maria Fumaça
cortando os campos, como no "Trenzinho Caipira" do Villa Lobos, não
corresponde à realidade (a não ser pela fumaça – trem movido a diesel, como a
maioria dos que ainda temos, polui com muita fumaça). Além da fumaça poluidora,
uma ferrovia gera ruídos que espantam as aves e os animais no seu caminho e provocam incômodos significativos na população de áreas
urbanas. Na Europa, onde as ferrovias estão mais disseminadas, hoje se sabe que
o ruído constante de longas composições de carga em áreas urbanas é responsável
por um grande número de casos de problemas cardíacos.
Em áreas rurais, como no trecho entre
Piracicaba e Santa Maria da Serra, os problemas ambientais podem ser ainda mais
agudos. A área de passagem de uma ferrovia impede a circulação de animais, pela
perda de vegetação, e provoca
atropelamentos dos que se arriscam por ela. O "corte" da ferrovia, na
sua faixa de domínio, divide plantações e propriedades rurais produtivas definitivamente,
com perda de áreas produtivas e diminuição de produção. Promove ainda a
fragmentação de remanescentes de vegetação que podem provocar a sua regressão e
até extinção de espécies vegetais. A hidrovia promoverá o reflorestamento com a
criação de uma grande Área de Proteção Permanente no seu entorno, além de
oferecer acesso aos proprietários rurais a um meio de transporte natural no
limite de suas propriedades.
Em muitos casos é necessária a construção
de viadutos (para cruzar a SP-191, por exemplo) ou executar aterros para a
ferrovia seguir adiante. A terraplenagem, os cortes de elevações e o bota-fora
necessários provocam erosões, acumulo de detritos, aumento de poeira,
desmatamento; a potencialização de erosões provoca o assoreamento de cursos de
água adjacentes. Esses riscos não existem no caso da hidrovia.
Quando entra em funcionamento, a ferrovia
ainda apresenta potencial de poluição de mananciais (por esgotos, óleos e
graxas), além de aumentar do risco de incêndios e a pressão sobre a fauna.
Mesmo assim, não somos contra a
disseminação de ferrovias. Pelo contrário, o transporte ferroviário tem muitas
vantagens sobre o transporte de carga por caminhões, em rodovias. Mas nem um
nem outro – rodovia ou ferrovia – consegue ser mais vantajoso do que o
transporte por hidrovia quando se tem um caminho natural e inexplorado como o
nosso rio Piracicaba, abrindo caminho à grande hidrovia Tietê Paraná bem à
nossa porta.
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