Antes de comentar a barragem de Santa Maria da Serra, gostaria de ponderar sobre os gargalos que o Brasil enfrenta na infraestrutura dos transportes, graças a miopia de alguns e incompetência de outros, em especial do nosso governo.
No ranking da logística de transportes feito pelo Banco Mundial e que engloba 160 países exportadores, o Brasil ocupa um desastroso 65º lugar. Em 2.010, ocupava o 41º lugar. Caímos, em vez de subir. O que nos salva é o agronegócio. Um dos entraves, em primeiro lugar está a excessiva burocracia governamental, em segundo lugar está a deficiência dos meios de transporte. Vencer a burocracia parece impossível, porque ela dá lucro para quem não produz coisa alguma. Mesmo vivendo em época de informação global, muito bem aplicada pela Receita para aumentar a arrecadação, não conseguimos que uma agência de exportação emita rapidamente uma guia de exportação.
Resta a esperança de que pelo menos o transporte seja melhorado e barateado, seja mais rápido, menos poluente, mais eficiente e seguro.
Comentar a precariedade de nossas rodovias é perda de tempo. São péssimas as estradas que servem os produtores, que necessitam de rodovias. Os que transportam produtos industrializados, estes tem de pagar seguro altíssimo devido ao alto volume de roubos, encarecendo o valor do mesmo em prejuízo de toda a sociedade. Todas essas dificuldades acrescem o valor dos produtos, e quem paga é o consumidor. Como diz um velho ditado, “do lombo sai a correia”. Tudo sai do lombo do povo, que acaba sendo a maior vítima de toda essa incúria toda.
Depois desses considerandos, vamos ao que interessa ao povo e a esse Conselho. A hidrovia rompe com o atraso provocado pelo nosso quase exclusivo transporte rodoviário de carga. É um sistema que a cada ano que passa mais atravanca o nosso desenvolvimento, cujo custo é muito mal calculado, pois usamos, para calculá-lo, matriz dos Estados Unidos, onde o transporte rodoviário é mais eficiente e fluente, onde existe as melhores rodovias do continente, perdendo talvez só das da Europa.
Não vou perder tempo dos senhores para expor as vantagens da hidrovia sobre a rodovia e a ferrovia, porque são tantos, tão conhecidos e notórios que só os travestidos em donos da verdade se atrevem a contestá-los. Quanto a estes, o jeito é perguntar quantos conhecem realmente uma hidrovia, se já percorreram a hidrovia Tietê-Paraná, se sabem como era antes e depois dela. Julgar sem conhecer é coisa de anta, um bichinho de nariz grande, que fuça e fareja e não sabe para onde vai.
A ligação da hidrovia Tietê-Paraná com o Porto de Santos é necessária para facilitar a exportação e desafogar rodovias, reduzir o número de acidentes, salvar vidas e ajudar a salvar a economia brasileira. Necessária para incentivar a produção e melhorar o padrão de vida de centenas de municípios, conforme previsto em planos do Estado de São Paulo desenvolvidos nos anos 90, entre eles o Projeto Calha, que poucos conhecem e nem querem conhecer. Para por esses planos em prática é necessário aproximar a hidrovia do Porto de Santos, o que explica a inclusão do rio Piracicaba na mesma.
Confio que os senhores conselheiros conheçam o Projeto Calha, razão de ter certeza de que autorizarão a licença prévia solicitada pelo Departamento Hidroviário.Se houver necessidade de obras complementares de proteção do meio ambiente que se faça termo de compromisso de execução das mesmas, mas não impeçam o início das obras, o que seria prejudicar o desenvolvimento de centenas de cidades, e não só do nosso Estado.
BRUNO PRATA
Corretor de Imóveis
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