Antes de qualquer colocação é importante deixar claro, de início, que não somos contra as ferrovias: comparando com o transporte de carga por caminhões, fica claro que levar por trilho é melhor do que por asfalto. Mas isso só é verdade quando não há a alternativa natural de um rio que pode ser navegável. Nessa comparação, estritamente econômica, a hidrovia é superior a ferrovia.E lógico que estamos na época de recesso das águas, devido a falta de chuva, mas estamos torcendo pra que em breve chova e se resolva isso tornando os rios navegáveis como sempre foi. Não podemos dizer que por causa desse momento que é hidrovia é inviável porque os barcos e navios, esse semana, estão parados.
Em termos de impactos ambientais, no entanto, uma ferrovia é comparável a uma estrada e perde, na comparação com a hidrovia: Desmatamento de largas áreas de servidão, Poluição por CO2, queima de combustíveis não-renováveis, divisão de propriedades rurais, perda de conectividade e - bastante preocupante - problemas de saúde causados pelo ruído das composições ferroviárias.
O professor Dr. Ricardo Melo, do Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba, reuniu dados preocupantes sobre o impacto ambiental de ferrovias e o efeito do ruído sobre as pessoas na sua disciplina Tópicos Especiais em Engenharia Ambiental: ele informa que, na Europa, onde as ferrovias tem uso generalizado e muitas vezes estão mais presentes que estradas, o "ruído produzido pelo tráfego de veículos rodoviários e ferroviários é responsável por 50 mil mortes prematuras por ano".
Esse é o efeito cumulativo da exposição a ruídos e vibrações, que também podem gerar danos em função de rachaduras em estruturas e edifícios, além de provocar "fuga e morte de espécies animais, alterando os ecossistemas locais".
Vale a pena ver a apresentação do Dr. Ricardo Melo. Além de histórico sobre ferrovias, ele fala sobre a interferência causada no meio urbano e rural, e o número de ações mitigadoras - e nem sempre compensatórias - do impacto de ferrovias no ambiente.
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